8 de abr de 2011

NORMA CULTA E LÍNGUA-PADRÃO – II

10/02/2011

    BOLETIM: Não Tropece na Língua nº 259 
                        2 ª edição                








* Maria Tereza de Queiroz Piacentini 
Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros 'Só Vírgula', 
'Só Palavras Compostas' e 'Língua Brasil – Crase, pronomes & curiosidades' - www.linguabrasil.com.br


Para os linguistas, a língua-padrão se estriba nas normas e convenções agregadas num corpo chamado de gramática tradicional e que tem a veleidade de servir de modelo de correção para toda e qualquer forma de expressão linguística.
Querer que todos falem e escrevam da mesma forma e de acordo com padrões gramaticais rígidos é esquecer-se que não pode haver homogeneidade quando o mundo real apresenta uma heterogeneidade de comportamentos linguísticos, todos igualmente corretos (não se pode associar “correto” somente a culto).

Não há brasileiro – nem mesmo professores de português – que não fale assim:

               – Me conta como foi o fim de semana...
               – Te enganaram, com certeza!
               – Nos diz uma coisa: você largou o emprego mesmo?



Ou mesmo assim:
               – Tive que levar os gatos, pois encontrei eles machucados.
               – Conheço ela há muito tempo, é ótima menina.
               – Acho que já tinha lhe visto antes.



Então, se os falantes cultos, aquelas pessoas que têm acesso às regras padronizadas, incutidas no processo de escolarização, se exprimem desse modo, essa é a norma culta.  Já as formas propugnadas pela gramática tradicional e que provavelmente só se encontrariam na escrita [conta-me como foi / enganaram-te / diz-nos uma coisa / pois os encontrei / conheço-a há tempos / já o/a tinha visto] configuram a norma-padrão ou língua-padrão.