25 de nov de 2010

Vovó e eu


Adoro escrever... deixei-me levar pela leitura de poemas, como: "Tecendo a manhã" (João Cabral de Melo Neto) e "Meus oito anos" (Casimiro de Abreu) e a imaginação rolou solta! Revivi parte de minha infância, tão querida, e lembrei-me com carinho da minha vivência e amizade com minha avó! Quanto amor, quanta alegria!



Vovó e eu


Por que crescer?
Quando se é criança é tão bom...
Cheirinho de terra molhada,
A chuva que acabou de cair...
E o exalar do perfume
Do café que minha vovó está a concluir
Oh, que cheirinhos gostosos...
Casa da vovó, terra molhada, café sendo preparado
E o dia passando num belo cenário acalorado.
Os bichinhos ali fora
Passarinho a cantarolar
Beija-flor a voar
E o galo com a galinha a namorar...
Vovó andando na cozinha
Me chama: Uh,uh
Vou correndo à mesa
Me junto a ela
conversamos muito e rio do riso dela
Os anos passam...
Tudo passa...
Fica a saudade
Resquício de lembranças boas
Daquela idade
cheinha de amabilidade
Vou levando a minha vida...
E vivendo uma história...
às vezes, volto e olho para trás,
e choro pela felicidade que a vida de novo me traz!


Tecendo a manhã
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Tecendo a manhã



23 de nov de 2010

Reportagens referentes ao Evento realizado na escola EBIAS

  

Notícias do Dia - Cidade - Dia 12 - Pág. 4




 Hora de Santa Catarina - Mané Gaivota - Dia 16 - Pág. 16


Diário Catarinense - Visor - Dia 14 - Pág. 2

11 de nov de 2010

Visita à EBIAS de Maria Celeste Neves Carvalho: a “artista que pinta com as agulhas”

A artista Maria Celeste Neves Carvalho tem o título de a “artista que pinta com as agulhas” e fez uma visita à Escola Intendente Aricomedes da Silva - EBIAS, no dia 11 de novembro de 2010. Ela foi recebida pelas professoras Ana Kelly Borba da Silva Brustolin, Flaviana Cristina Meneguele, Maria Luiza Westphal e Roberta Fantin Schnell na Sala Ambiente de Português, para um fascinante encontro com os alunos da sexta série. Outros profissionais estavam presentes, Elisângela (bibliotecária), Edla (CERTI), Elizângela (CERTI), Suleica (NTM), Osvaldo (Repórter da Rádio UDESC), entre outros, que prestigiaram o Evento referente ao PROJETO LENDO E TECENDO... organizado pelas Professoras supracitadas e pela Coordenadora do Projeto "Clube da Leitura", Heliete.

Desde outubro, os alunos se envolveram com as atividades propostas pelas professoras a partir da leitura da obra "Fábulas de Linha e Agulha: artes de Maria Celeste" (organização do escritor Dennis Radünz e prefácio do artista plástico e crítico de arte Janga Neves ). Além da leitura desta obra, os alunos também leram o conto de Machado de Assis “Um apólogo”, pesquisaram sobre a cultura de Florianópolis e sobre a biografia da artista, escreveram seus próprios contos, poesias, debruçaram-se sobre o gênero entrevista e sobre o blog do projeto e fizeram uma releitura das obras da artista – trabalhos realizados de modo interdisciplinar: português-geografia-matemática.
 A abertura do evento contou com a participação da contadora de história Fabrícia Brito – que contou a história dos “Floquinhos de carinho” – receber CARINHO é muito bom. E o simples gesto de lembrar que alguém existe é a maneira mais simples de fazê-lo. Que emoção foram os abraços, os olhares, as lágrimas, os sorrisos...
Maria Celeste  foi recepcionada e entrevistada pelos alunos-jornalistas, que curiosos tinham questões sobre sua infância, sobre a vida da escritora, se gostava de ler quando era criança, se já escrevia, o que a inspirou a escrever tal obra, como era o Intendente Aricomedes (que Lea conheceu pessoalmente), entre outras. Quiseram saber se ela “já furou” muito o seu dedo, se os netos dela apreciam suas obras, se ela passou seu talento para sua filha, entre outros. Segundo Maria Celeste ela borda e sua filha pinta, ou seja, elas pintam e bordam!
A artista de 91 anos aconselhou as crianças a cultivarem seus talentos, sempre! Após, a contadora de histórias Fabrícia Brito cantou “Alecrim Dourado” junto com os alunos e demais presentes que muito se emocionaram e Maria Celeste recebeu uma lembrança dos alunos e das professoras – uma boneca de pano (que representa ela mesma), uma pasta personalizada para ela repleta de acrósticos com o seu nome e livros sobre a Ilha. A contadora de histórias também foi presenteada pelos alunos que adoraram suas histórias e sua delicadeza.


Por fim, a artista Maria Celeste fez uma “sessão autógrafo” rodeada pelas crianças e por seus olhares emocionados, recebendo em troca muitos “floquinhos de carinho”! Agradecemos à Maria Celeste e sua filha por nos dar a honra de suas presenças e parabenizamos aos alunos pela educação, carinho e bela participação para com a escritora nesse momento descontraído e cheio de encantamento que enriqueceu ainda mais o nosso 


amor pela leitura e pela arte. 


Profª Ana Kelly Borba da Silva Brustolin



Marizilda Araújo e Sonia Berti,
 muito obrigada pelo bolo 
que preparam para as crianças 
e para os convidados.







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10 de nov de 2010

Convite

A televisão e o DVD



       Era uma vez, uma televisão e um dvd que estavam conversando...
-Oi dona tv,o que a senhora tá fazendo?
-Estou esperando a Chiquita (controle da tv), me controlar!
-Ah, você é controlada?! Eu não preciso de controle!
-Claro que precisa! Você acha que se controla sozinho?
-Ah, mas eu que mostro os filmes para eles (humanos).
-Claro que não, pois se não fosse eu, eles(humanos) não assistiriam...
 E a briga continuou...uma falava que era melhor que a outra.Quando de repente... Chegou a Chiquita e a Pólita (controle do dvd) e falaram:
- AH! Acabem com essa discussão agora!
-Nenhuma das duas se controlam e sim nós que controlamos vocês.
Daí elas dizem:
-O quê? É o cúmulo! Vocês não mandam em nada! Vocês apenas nos ligam e desligam, oras!
-E é isso que vamos fazer agora "click". E a discussão acabou por ali.


Moral da história:Uma discussão começa, mas basta um "click" para tudo acabar...

Grupo: Ada, Maria Eduarda e Vanessa
Profª Ana Kelly
Turma 61

Conto, Machado de Assis

Um Apólogo
Machado de Assis

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora?  A senhora não é alfinete, é agulha.  Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa!  Porque coso.  Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você?  Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser.  Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?  Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?  Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: 
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. 
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!