Apresentação

                    Este blog foi criado com o intuito de falarmos sobre vários assuntos que permeiam o universo do ensino e da língua. Há muito para se discutir e aprender... Tanto professores, leigos quanto alunos podem deixar aqui suas opiniões e suas sugestões!
                Temos ciência de que o caminho a ser percorrido por uma teoria da educação, bem como por uma teoria da linguagem (no nosso caso) à sua total aplicação e funcionamento é penoso. Apesar de os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) estarem em vigor no papel, o que se verifica é a não consolidação desta reforma curricular na maior parte das escolas atualmente por várias razões, como ausência/carência de reflexão com os professores em atividade nas instituições de ensino, condições de trabalho precárias, estudo mecanizado e, desde cedo, voltado para o vestibular, inadequação das propostas pedagógicas para as novas diretrizes curriculares e outras.
A partir do que temos observado em vários estudos de descrição do português do Brasil, o que presenciamos é a existência de uma lacuna entre a prática pedagógica das escolas e o que dizem os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Como notamos, no texto de 1998 dos PCNs, já existe um comentário bem pertinente no que tange à variação lingüística:
A variação é constitutiva das línguas humanas, ocorrendo em todos os níveis. Ela sempre existiu e sempre existirá, independentemente de qualquer ação normativa. Assim, quando se fala em “Língua Portuguesa” está se falando de uma unidade que se constitui de muitas variedades. Embora no Brasil haja relativa unidade lingüística e apenas uma língua nacional, notam-se diferenças de pronúncia, de emprego de palavras, de morfologia e de construções sintáticas, as quais não somente identificam os falantes de comunidades lingüísticas em diferentes regiões, como ainda se multiplicam em uma mesma comunidade de fala. Não existem, portanto, variedades fixas: em um mesmo espaço social convivem mescladas diferentes variedades lingüísticas, geralmente associadas a diferentes valores sociais. (BRASIL, 1998b, p. 29).

                  Assim, como já disseram outros autores, entre eles Faraco (2004), se o ensino de língua fosse pautado, desde o início, na sua função social e não em regras estanques de gramáticas tradicionais estaríamos muito mais à vontade para abordar a gramática, a variação e a produção de textos na escola.
             Para além de métodos miraculosos, precisamos de, alguma maneira,  abandonar o preconceito linguístico, desfazer a segregação dicotômica entre o sujeito que aprende e o professor que ensina, bem como rescindir com o reducionismo que, às vezes, delimita a sala de aula como o espaço exclusivo de aprendizagem e encontrar respostas que demandam de cada contexto, para realmente e sinceramente formarmos cidadãos críticos e conscientes de seus papéis sociais.